Algumas Histórias Hilárias vol:1

4 de fevereiro de 2012

Sempre que vamos fazer um programa do tipo entrevista-talkshow, a produção nos pede para lembrar alguma história engraçada. Temos um monte, mas nunca nos lembramos na hora. Decidi escrever hoje alguma coisa que sirva para eu me lembrar delas com uma simples consulta no site, clicando do lado direito onde diz “hilário”. Vamos lá

Papai Noel em Florianópolis – Uma viagem para o sul do país. Ficamos de fazer um show na grande Floripa e pediram para que nós participássemos de uma “chegada de papai noel” no estádio da cidade. Estávamos cansados mas não há como não se tocar ou mesmo dizer não para este tipo de convite. Estando na cidade, por que não? Nossa participação seria em playback ou seja, na base do disco tocando e nós fazendo mímica – como aliás muitos programas de tv fazem até hoje.
Chegando no estádio, vimos que tudo era bem simples. Um palquinho no meio do centro do gramado. Ficamos no vestiário aguardando sermos chamados. O vestiário ficava perto do gol. Pouca gente no local, um dia meio nublado, mas tudo pelas crianças, estamos aqui pra isto.
Eis que ouvimos: “Agora, no palco, chamamos Biiiiiquiniiii Cavadãaaao. E lá fomos nós subindo as escadas e caminhando no gramado em direção ao palquinho. Não havíamos passado da grande área quando a música começou a tocar.
Imagine então nós correndo como loucos para chegar pelo menos a tempo de eu começar a fingir que estava cantando ao microfone. Se alguém tivesse filmado isso, seria um desses micos de fazer o maior sucesso no YouTube!

Tudo muito leeeento – Na década de 80, fazer playback era comum no Rio. As bandas faziam 3 shows por noite em lugares lotados, bailes funk ou de música variada na baixada fluminense onde o ingresso era barato e mulheres não pagavam. De Paralamas a Kid Abelha, de Lulu Santos a Ritchie, Titãs, Legião, Plebe Rude, não havia exceção. Chegávamos em radio-taxis, comíamos alguma coisa e éramos levados a um palco pequeno, bem pequeno mesmo. Com um microfone aberto eu cantava enquanto Coelho, Sheik e Birita (com apenas uma caixa e um prato) faziam performances. Miguel “tocava” guitarra pois era mais fácil do que levar um teclado, já que muitas vezes, tínhamos de passar no meio da multidão com cordão de isolamento. Ele bem que tentou levar um teclado portátil, do tipo “casiotone”. Eis que no primeiro solo de Tédio, alguém gritou para ele “Traz um teclado decente, pooorrra!”. Desistiu e passou a levar uma guitarra mesmo. O show durava de 3 a 5 músicas. Não existia CD e as músicas eram executadas nos toca-discos. O problema é que às vezes não podíamos pular no palco, sob o risco da agulha também pular. Isto aconteceu algumas vezes, chegando ao cúmulo de trocarmos a música! Era uma bagunça! Uma das vezes, o disco arranhou e lá ficamos cantando: “eu já tentei de tudo mas não tenho remédio pra livrar-me desse Tédio, desse Tédio, desse tédio, desse tédio…..
Foi então que tive uma idéia genial: vamos gravar tudo numa fita cassete e levar um walkman. Se você não sabe o que fita cassete e walkman são, procure no Google ;-) . Bem, com a ajuda de um cabo, ligava o walkman bastava apertar um botão e o nosso playback não ficaria à mercê de pulos, repeticões etc. Só faltou um detalhe. Na primeira vez que tentamos isso, tudo funcionou direito mas eu esqueci de colocar pilhas novas. E com isso, claro, as músicas começaram a ficar mais lentas, mais graves, um horror! E enquanto a gente tocava cada vez mais devagar, alguém da banda tentava avisar pra voltarmos ao disco de vinil. Que pulasse, repetisse, mas que acabasse este sofrimento o quanto antes!

Conforme eu for me lembrando, postarei outras

A Cadeira Sergipana Voadora

4 de fevereiro de 2012

Existem shows que nos marcam quase mesmo antes da gente começar a tocar. Nosso destino foi a praia de Caueras no município de Itaporanga d’Ajuda, grande Aracaju, Sergipe. Um show gratuito e com uma grande expectativa nossa. Não tocávamos em Aracaju desde 2010, mas o shows sempre foram muito bons. Foi pisar no palco e ser bem recebido com o calor dos sergipanos. E logo no começo um momento pra não esquecer: quatro amigos se juntam e levantam a altura dos ombros uma cadeira de rodas com seu amigo sobre ela. Como se fossem servos de uma liteira, lá estava ela, quase singrando as cabeças de todos, aquela caravela pilotada pelo cadeirante em meio a tanta gente nos recebendo com o maior carinho.
Tive de derramar minha emoção para aquele momento e aquele gesto dos amigos. Enquanto o público os aplaudia, um deles me perguntou: tem como ele assistir do palco? “Mas claro”, respondi. Com um esforço de todos, aquela cadeira de rodas sobrevoou tudo e todos até chegar ao palco. Um cena linda! E o nosso amigo ficou ali, na coxia, nos assistindo de camarote!
E tal como a cadeira, o show não parou de decolar, subir, marcar presença e matar nossa saudade de Sergipe.
Antes do show começar, um repórter me perguntou se a gente não se cansa de fazer shows já que estamos na estrada ha tanto tempo. Ora, meu amigo, cansar de quê? Como se cada show fosse igual ao outro! A prova está aqui mesmo! Cada um tem uma história! E cada história, uma lembrança mais bonita que a outra!

A Mini Tour no Nordeste

4 de fevereiro de 2012

Quatro shows no Nordeste. Dois na Paraíba, um no Rio Grande do Norte e o primeiro em Pernambuco. A viagem começou com parada em Juazeiro do Norte, onde os fãs já nos esperavam no aeroporto. Muitos não teriam como ir a Ouricuri-PE mas fizeram questão de nos receber. Um mimo todo especial para nós. A viagem foi relativamente curta. Ao chegarmos no hotel, fiquei na suite presidencial onde sessenta besouros (eu contei!) me esperavam. Brinquei com o pessoal chamando-os de “besouricuris”. Em meio ao cansaço, dormi com eles. Logo chegou a noite e a hora de tocar na festa da cidade. Um show muito especial pois esta é uma região que cada vez mais descobre a banda. Uma ótima novidade! Atendemos o público por um tempão após a nossa apresentação e seguimos direto pra Natal. Uma viagem longa de quase 11 horas.
Natal é uma das cidades mais lindas que eu conheci e sempre que tem show por lá, me encanto com suas belezas. Desta vez, entretanto, não era uma beleza natural, nenhuma duna ou praia paradisíaca que nos esperava. De cair o queixo e encher os olhos era o Teatro Riachuelo, uma casa de espetáculos maravilhosa. O capricho potiguar foi imenso! O show? Nem se fala. Com ótima estrutura de som e luz e um público arrebatador, além de diversos fãs-clubes, não foi difícil aquela noite ser espetacular.
No entanto, nos camarins, soubemos que o show de João Pessoa, nossa terceira parada, havia sido cancelado. Pelo twitter, muitos me perguntavam mas eu fui o último a saber. As chuvas constantes criaram um dilema para os organizadores: arriscar e fazer o evento ou aguardar uma nova oportunidade? Não é fácil tomar esta decisão. De pouco ou nada adianta confiar em previsões meteorológicas. Optaram por não fazer e, ironia das ironias, não choveu no sábado.
Como consequência, ficamos com uma situação louca! Fomos para João Pessoa, sem ter onde tocar. O jeito foi fazer o programa da TV Castelo (Record) e dar uma satisfação a todos. Cantamos algumas músicas e confirmamos o show do dia seguinte, em Guarabira. De quebra, cantei Dani, Janaína, Vento Ventania e arrisquei um Tempo Perdido com a banda Tuaregue. Mais à noite, saímos para o show de Frejat na praia de Tambaú. Lotado, show perfeito e que, de quebra, teve uma canja minha em Exagerado. Foi um prazer cantar com Frejat e sua banda afiadíssima. Rimos de histórias antigas, do show que Mauricio Barros fez no lugar de Miguel em 1999 e outros causos do Barão.
Dormi cedo e acordei cedo para aproveitar o domingo com uma visita às praias do sul. Meu dia de turista. Fui a Tambaba, famosa pela prática de naturismo mas não me arrisquei. Segui direto pra Coqueirinho, onde aproveitei o mar quente o sol forte e as boas ondas. E por mais que tenha passado protetor, não foi o suficiente: voltei meio homem, meio lagosta.
Seguimos para Guarabira e a Festa da Luz nos esperava com uma multidão ainda maior que aquela vista na noite anterior no show de Frejat. Bota gente nisso! O show teve momentos alucinantes com o público pulando e pirando. E em cada uma das cidades a música nova Amanhã é Outro dia foi recebida e cantada em coro com seu refrão simples. Bons presságios pro novo disco. O carinho de Guarabira nos fez encerrar esta tour com o astral lá em cima. Ao final eu falei: Agora vai chover! Tocamos Chove Chuva e, adivinhem? Isso mesmo, o pé d’água caiu logo depois. Foi uma ótima noite, um ótimo fim de semana e a certeza de um Janeiro quente!
Semana que vem tem Sergipe!

TVs, Rio das Ostras e uma dica pra sorrir em fotos!

21 de janeiro de 2012

A semana foi cheia com viagens, gravações de programas de TV, participações, ufa! Terça foi no Danilo Gentili, gravando o programa Agora É Tarde.

Na volta, debaixo de um temporal, quase perdemos o voo de volta pro Rio, mas deu tudo certo.
No dia seguinte foi a vez de eu e Coelho viajarmos pra Salvador e participar do show do Jammil, que contou ainda com canjas de Tomate e Daniela Mercury. Foi ótimo encontrar o amigo e parceiro Manno Góes e tocamos umas cinco músicas, mas Salvador tem um público que te deixa louco de vontade de não sair do palco. Temos que voltar e com a banda toda!

Na sexta, foi a vez de gravarmos o TV Garagem do Faustão. Pra você que quer ver o video abaixo, nossa aparição se faz a partir dos 8 minutos ;-)

Miguel não foi no programa porque não caberia no estúdio. Achei exagero mas tive que concordar depois que vimos o local. É apertadinho mesmo ;-)

De lá, seguimos para Rio das Ostras, uma viagem de duas horas, que levou o dobro do tempo por conta de engarrafamentos na estrada. Foi o tempo de chegar na cidade direto pros camarins. E em pouco tempo já estávamos no palco atacando! Mais de vinte mil pessoas no parque participando, cantando e fazendo uma super festa conosco. Foi nossa primeira vez na cidade. Olha que a gente já tínhamos tocado em várias cidades vizinhas, mas desta vez foi a vez de Rio das Ostras e foi sensacional.
Após o show, atendemos muita gente, mas uma menininha chamada Nadia me chamou a atenção pelo carinho, simpatia e por uma tirada incrível.
Fomos tirar foto com ela. Nestas horas alguém sempre sugere “diga xiiis”
E a Nadia sugere: “diga Biquini!”
Uau! Já parou para pensar nisso? Como você sorri quando fala Biquini?
Adorei ! Valeu Nadia, agora eu falarei isto quando tirarmos fotos com os fãs!

Ilha Comprida, Missão Cumprida!

19 de janeiro de 2012

De repente, somos surpreendidos com uma região do país pouco conhecida por nós. O litoral sul do estado de São Paulo, por exemplo. Esta região viu poucos shows da banda e a cidade de Registro, no interior era a cidade mais próxima a ter nos assistido, isso há vinte anos!
Portanto, um show em Ilha Comprida veio cercado de uma grande expectativa. A cidade – que é Área de Proteção Ambiental – é bonita e bem cuidada.Ainda assim, deixamos nosso recado a todos os presentes para que cuidem desta beleza. A prefeitura preparou uma programação intensa para o verão e a infra estrutura estava perfeita.
O show foi uma supresa para todos nós. Surpresas como a do maluquinho que entrou no palco em Zé Ninguém e comandou a galera com seu jeito endiabrado. Surpresa como a nossa convidada para cantar No Mundo da Lua, que esbanjou alegria. Um show que nos deixou super felizes com o resultado e abriu as portas para novas apresentações na região. Missão cumprida, Ilha Comprida! Obrigado pelo ótimo sábado!

Araújos: show-ve show-va!

8 de janeiro de 2012

Shows ao ar livre sob chuva são inevitáveis. As pancadas de verão que atingiram Minas Gerais eram um indício de que nosso show em Araújos não escaparia de pelo menos uma ducha. E o que se viu foi um show ensopado. Como se tudo isso não bastasse, eu esquci minha mala no aeroporto do Rio e só me dei conta do sumiço ao chegar em Belo Horizonte. Fui pra Minas com a roupa do corpo mesmo. Por sorte, dava pra usá-la como figurino. Passamos o som à tarde e o público já lotava a praça. Quem ficou, viu um show à parte. Foi a única hora em que show foi seco. Tão logo saímos pro hotel, as nuvens carregadas deram o ar de sua graça. Pensei: caramba, ninguém irá nos assistir. Ledo engano! A praça estava lotada e todos enxarcados, mas ninguem arredou o pé. A galera de Araújos deu um novo significado a expressão “fila do gargarejo”. No caso deles, o nome bem que se aplicava aos que cantaram tudo debaixo de tamanha chuva. O show foi caprichado e tocamos três músicas do Roda-Gigante para começar bem o ano. O disco está quase pronto. Devemos acabar até o fim do mês e lança-lo entre março e abril. Sob chuva também voltamos pro Rio, pois segunda tem estúdio. O ano começou cheio de trabalho! Oba!

O Reveillon no Rio – Adeus, 2011!

8 de janeiro de 2012

Um filme passou em minha cabeça durante o show de reveillon na Barra da Tijuca. A chuva caia impiedosamente e eu me lembrava de tudo que vivi neste ano maluco. A viagem para a Dinamarca, a gravação do Roda-Gigante, os shows com o Kid, Capital, Ultraje, Jota, as composições com Beth Hart, o acidente, a tragédia. Tudo em meio a um show na Barra da Tijuca, onde vivi nos últimos 14 anos, onde meu filho viveu a quase totalidade de sua vida, diante do mar que em Porto Seguro o levou. O nó na garganta foi daqueles de torniquete e foi me apertando desde o começo da tarde. Não foi uma despedida fácil esta de 2011. Por outro lado, foi fazendo um show diante de milhares de pessoas cantando nossas canções, com meus amigos ali do lado, com meu amor na coxia, e a sensação de que precisava virar uma página pesada no livro de minha vida. Embargava a voz, disse a mim mesmo que não choraria mas era com se chorasse, embora as lágrimas não descessem. No meio de tantas lembranças, os fãs. Eles estiveram em cada momento me amparando, dando força, orando. Sempre foram especiais para nós, mas neste ano, foram fundamentais para que pudesse me reerguer. Amenizaram os problemas, trouxeram leveza ao fardo que carregava, foram igualmente fortes. Impossível esqucer vocês. Um novo ano se aproxima. Não terei nunca como apagar o ano de 2011, nem quero. A vida é cheia de capítulos bons e tristes. Quantos aqui também não viveram dificuldades, perderam alguém querido, ou tiveram seu ano mais marcante? Assim foi o meu, e o de tantos outros que nem sei. O ano de 2011 me fez olhar a vida de outro modo. E os ensinamentos, quero aplicá-los desde já. A logomarca do Biquini Cavadão é minha silhueta pulando. Energia, força, atitude, tudo isso se traduz naquele instante capturado pelo fotógrafo Marcus Hermes. E, tal como a logomarca, ainda terei de pular muito. Seja no palco, ou os obstáculos que teremos pela frente. Obrigado a todos que leram cada linha deste blog que completará dez anos agora. Obrigado por comentar e traduzir o significado de ser fã. Tem muita coisa para acontecer em 2012. É só a gente querer.

Recife, terceira vez num ano!

8 de janeiro de 2012

Nos últimos anos é que Pernambuco se tornou uma parada quase obrigatória para shows nossos no Nordeste. O que já era comum no Ceará e Paraíba agora se estendeu a este estado que passou a dar um carinho especial por intermédio de fãs e gente que passou a redescobrir a banda. Nosso pré-reveillon começou no dia 29, viagem noturna que tornou tudo bem mais confortável. Chegamos por volta da meia noite, foi o tempo de jantar e dormir. A agenda do dia seguinte incluiu um ensaio com fãs no estúdio, passagem de som e jantar com mais fãs à noite. Biquini voltando ao Chevrolet Hall pela terceira vez em 2011. Na primeira, tocando com Capital e CPM22. Na segunda, com o Kid Abelha. Agora, foi com Ivete Sangalo.
Ivete foi um amor e esteve muito presente deixando recados muito carinhosos após tudo que vivi. Foi amiga e matriarca ao mesmo tempo. Não foi um ano fácil para ela também. E sua volta ao Recife se deveu pelo fato de ter cancelado o show em virtude de sua meningite. Portanto, desde o começo, sabíamos que, acima de tudo, este era um show de Ivete e que tocaríamos no final.
Acontece que as únicas passagens conseguidas para o Rio de Janeiro no dia 31 eram de um voo que saía cedíssimo e nosso show tinha hora pra acabar. Era arriscar ou cancelar também. O Chevrolet Hall e a equipe de Ivete, juntos conosco, bem que tentaram mas o atraso foi inevitável, Com isso, nosso show ficou mais curto que o normal. Conversei com Ivete logo após seu show e ela pediu desculpas pela demora mas não havia razão para isto. Fatalidade é o nome. Entramos às 2 e meia e fizemos um show de apenas uma hora. Por outro lado, foi um repertório concentrado de hits e gastamos o que sobrou de energia da turma que ficou depois de pular o show inteiro de Sangalo. Foram ótimos momentos vividos em Pernambuco em 2011. Obrigado por cada um deles!

Manaus, viradão especial!

14 de dezembro de 2011

Foi um longo caminho desde Sousa, na Paraíba até Manaus. Acordamos às 7, saímos às 8 e fomos de ônibus até Juazeiro do Norte. Almoçamos na cidade e seguimos pro Recife. Chegando lá, só deu tempo de embarcar de novo num voo que parou ainda em Fortaleza e Belém. Ao chegarmos me Manaus, passava da meia noite mas o fuso horário atrasou os relógios em duas horas. Seguimos para o hotel Tropical, um ícone na cidade. Sempre sonhei em me hospedar ali e, mesmo com tantos shows feitos na cidade, esta foi a primeira vez que dormi lá.

Acordei cedo e tomei café. Chovia. Fiquei o dia inteiro no quarto, dormindo mais um pouco e me preparando para o show no comecinho da noite. O Viradão Cultural teve shows variados pela cidade e com muita honra tocamos na Praça da Saudade. Uma multidão tomava a rua e a abertura foi um show do Tico Santa Cruz. Fizemos a maior festa no camarim. Depois de conversar um pouco, chegou nossa vez.

Manaus já foi palco de ótimos shows nossos, mas este foi muito especial. O clima todo era maravilhoso. Crianças no palco pulando em Vento Ventania já seriam um diferencial para marcar a noite. No entanto, um menininho espivitado chamado Mario Jorge cantando Carta Aos Missionários, roubou a cena. Enquanto isso, bolhas de sabão entravam no palco vindas da platéia. Psicodelismo perde!!! Tudo muito legal de se ver e cantar. O show trazia uma alegria a cada música tocada.

Se já gostávamos de tocar na cidade, o show em Manaus consagrou nosso ano no Amazonas. Com shows memoráveis em Tefé e Maués, este fechou com chave de ouro!

De volta ao Vale dos Dinossauros

12 de novembro de 2011

Voltar ao oeste paraibano, fazer um show em Sousa no vale dos Dinossauros é algo esperado com ansiedade não só pelo público mas por nós também. Por semanas, recebemos recados carinhosos por email, tweets e facebook. Ao chegarmos lá, o público e todos os organizadores nos recebem com um carinho sem par! São presentes, beijos e afagos por onde vamos e passamos.

A viagem é longa mas tudo compensa ao subir no palco e se deparar no meio de Quando Eu Te Encontrar com um monte de gente segurando cartazes.. Alguns com os dizeres CHORAR, outros com BEIJAR e mais alguns com TE ABRAÇAR. Emocionante! Cartazes com mensagens de apoio e força à banda também figuraram e a energia do show foi a melhor possível.

Fiquei ainda um bom tempo atendendo a todos no camarim e saí com dia clareando, mas valeu muito a pena. O Vale dos Dinossauros – nome dado em virtude da existência de sítios arqueológicos na região – triunfou mais uma vez. Show pra tiranossauro nenhum botar defeito! ;-)

Dois shows no coração do Brasil.

12 de novembro de 2011

Fazer dois shows no Centro-Oeste com os Titãs foi sensacional. Ótima oportunidade de mostrar a força do rock Brasileiro em casas lotadas e produção impecável. Muita gente esperava um encontro de nos dois no palco, mas isto não foi possível por alguns motivos. O primeiro é que faltou tempo para bolarmos algo juntos. É bem verdade que havíamos gravado Marvin e Estado Violência, mas enquanto o tom da primeira música era muito alto pro Branco cantar, não havíamos ensaiado a segunda a tempo. Vai ficar para uma outra oportunidade.

Depois de um excelente show dos Titãs, subimos ao palco do Opera Hall em Brasília. O show foi ótimo e com o público participando muito. Por outro lado, o calor que fazia no recinto desafinava as guitarras do Coelho o tempo todo. O pobre sofreu para tocar o show todo. Mas estes detalhes de bastidores não foram sentidos pelo grande público que ainda foi brindado com um bis especial: Philippe Seabra, da Plebe Rude, aniversariante no dia, cantou Zé Ninguém e misturou nosso parabéns pra você com I Wanna Be Sedated dos Ramones!

No dia seguinte foi a vez de Goiânia. O público veio literalmente em dobro ao Sol Music Hall, antigo Jaó. E o resultado só poderia ser um : recorde da casa! Mais de dez mil pessoas presentes fizeram o chão tremer. Se ainda levarmos em conta que Goiânia é considerada por muitos como capital da música sertaneja, o show desta noite provou que rótulos são desprezíveis. E a galera agitou tanto que mais uma vez manifestei a vontade de gravar um DVD ali. Vontade é um bom começo, mas para as coisas acontecerem, tem muita estrada pela frente. Outras cidades também seriam ótimas sedes para um novo trabalho a ser gravado nos próximos anos e o custo é alto sempre. Dependemos de patrocinadores e infra estrutura. Vamos aguardar e ver no que dá.

Ao tocarmos Amanhã É Outro Dia, o público aprendeu rapidamente e cantou como se já fosse sucesso. Sensação indescritível. No bis, foi a vez do meu amigo Anderson, do Mr. GYN cantar comigo em Zé Ninguém, fechando a noite com alegria e tudo de bom que o Centro-Oeste pode dar.

Roraima e Amapá: e o rock rolou solto!

29 de outubro de 2011

Dezoito anos sem tocar em Roraima e nossa terceira vez no Amapá: É muito pouco, reconhecemos, mas isto não tira nosso entusiasmo. Nem o do público, que nos recebeu com enorme carinho nos dois shows que fizemos neste fim de semana.
Ainda no aeroporto, um problema. Nosso iluminador, acostumado com os shows na sexta e sábado, não se tocou que nesta semana, os shows seriam na quinta e sexta. Não deu outra: perdeu o vôo! Viajamos sem ele e o distraído teve que se virar para chegar! Enquanto isso, viajamos para Belém e depois seguimos para Macapá. Sobrevoar a ilha de Marajó é muito legal e a vista é sensacional. Chegamos no começo da tarde e tratei de almoçar e descansar. Ficamos num bom hotel e dormi o quanto pude: o show seria cedo e logo depois faríamos uma longa viagem madrugada adentro. Por conta do vôo que teríamos que pegar, antecipamos o show para o mais cedo possível, tudo acertado com a produção local. A arena gigante que nos recebeu tinha um palco altíssimo com mais de seis metros, uma boa estrutura, telão digital e, acima de tudo, um público ansioso que nos recebeu com um carinho enorme. Macapá e Santana em peso, além de muitos que moravam e outros estados e se mudaram para o Amapá recentemente, cantaram todas as músicas! Tive ainda o prazer de ouvir uma bela canção nos camarins. A produção musical do norte se fez presente e é bom ouvir boa música em qualquer lugar.
Correria louca até o aeroporto e uma viagem um tanto esquisita: para chegarmos o mais cedo possível em Boa Vista, Roraima, tivemos que voar até Brasília! É como se, de Brasilia para o Rio, eu tivesse que ir para Porto Alegre primeiro! Ok, pare de reclamar, Bruno, e durma! Foi o que eu fiz o tempo todo. Ou tentei. Mas ao chegar em Boa Vista, depois de 12 horas voando, fomos recepcionados por uma galera super carinhosa. Todos motorciclistas em suas jaquetas de couro. Eu brinquei: parece aquele comercial da Carlsberg. Não conhece? Olha ele aqui ;-)

E assim como no comercial, a galera do Moto Clube era simpaticíssima, um barato. Nossa van saiu com destino ao hotel mas não andou nem dois metros! Caiu num bueiro e lá ficou! Mas isto não é problema quando temos amigos tão fortes. E um, dois, trêeees! A van saiu do buraco e, agora sim, seguimos em frente com um grupo de batedores pela cidade! Teve gente falando que tava ficando nervoso em ver de casaco o tempo todo ainda mais com o calor que fazia na cidade. Mas como não usar casaco se a gente fica o tempo todo em lugares com ar condicionados gélidos ? ;-)
Passei a tarde visitando o local do show e dei uma passada numa exposição que meu irmão, que trabalha na Fiocruz, fez para a Universidade: Elementar. Muito lega para se entender a importância da química na nossa vida.
Quando a noite chegou, o estacionamento em frente ao estádio Canarinho estava tomado, motos roncando a todo lado, muitos venezuelanos que cruzaram a fronteira a 200 km para participar da festa, a ponto de fazermos um show bilíngüe. Com uma rampa em frente ao palco, cantamos com a galera pertinho e todo mundo colado no som, no show, na energia e na felicidade desse reencontro dezoito anos depois. Metade da galera tinha menos de dezoito! Caramba!
Pausa para lembrar: nosso primeiro show na cidade foi em 1993 no ginásio Hélio Campos. No meio do show, desabou um temporal, daqueles de lavar o chão. Acontece que o teto era de zinco e o barulho foi ensurdecedor! Mal nos ouvíamos! Graças a Deus, como todo bom temporal amazônico, foi rápido!
De volta ao show hoje, foi daqueles com surpresas até o final. Durante o “guitar hero” em que Coelho toca diversos riffs clássicos, eu vesti um colete, capacete e subi a rampa na garupa de uma moto, para surpresa do público e da própria banda! Divertido demais! Roráima (e não Rorâima) foi pura festa. E agora, enquanto ainda estou na cidade, escrevo estas linhas com saudades destes dois shows! Obrigado, galera! Que tal sermos mais freqüentes agora e voltarmos mais vezes! Adoramos! Valeu, Roraima, valeu Amapá! Valeu Expofeira, valeu Motoclube Roraima!

ps: conversa com o garçon no café da manhã

- Por favor, o que é aquilo ali do lado da aveia?
- éee éee…
- é alpiste?
- Isso mesmo: alpiste!
- Alpiste é pra PASSARINHO! Acho que você está enganado ;-)
- ah, não , é verdade. Ô, fulano, o que é aquilo ali do lado da aveia?
e o outro completa:
- É um cereal…lentilha….
e eu respondia
- Cara, lentilha não é, por favor! Pra comer com banana e mamão?
Finalmente um deles me respondeu. Era o que eu suspeitava.
- LINHAÇA!!!

Rio disso tudo. Faz as histórias na estrada ficarem mais divertidas!

Felicidade Interna Bruta – Eskimo

20 de outubro de 2011

Ao ouvir o disco de Patrick Laplan, chego à conclusão de que há um erro no número de faixas. Por vezes acho que tem mais de 30 e me pego olhando o visor do player por achar que já mudou de faixa, mas não! E em outros momentos, acho que na verdade o disco tem uma apenas!
Felicidade Interna Bruta não é fast food de ouvido. É gourmet como um menu degustacion. Pequenas porções para saborear cada instrumento, cada letra e arranjo. Meio trilha sonora, meio opera maestra, confessional, raio-x de sua alma, Patrick não está preocupado com as rádios FM, o ECAD, a MTV, nem quer ser o underground do underground. Este disco ele fez para ele. Sincero e bonito. E é bonito você ver a beleza de alguém através do que faz. Tive o prazer de acompanhar tamanha gestação, de cantar nele e de ser parte de sua história. O resultado só dá para dizer em uma palavra: Orgulho. Porque música é isto. Felicidade através de deslocamento de ar.



Pau dos Ferros: Linda festa e homenagens!

17 de outubro de 2011

A viagem que pegamos de Salvador para Fortaleza foi um exercício de sonambulismo! Todos zumbis no avião enquanto viajávamos com escala em Recife. Chegamos em Fortaleza e logo pegamos um ônibus para Pau dos Ferros, onde amigos e fãs nos esperavam. Tratei de descansar o quanto pude durante a viagem. Nem saí para almoçar. O evento marcado foi o primeiro Sertão Mix, que teve Claudia Leitte na véspera. Foi um show com a energia de uma cidade que fica na fronteira entre três estados que amam a banda: Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. Não por menos, toda essa gente estava por lá. Na cidade, também fui homenageado por ter incentivado a #correntedobem pelo twitter. E os agraciados foram as crianças da APAE. Não pude comparecer à entrega dos brinquedos mas ganhei presentes também. Indescritíveis! Após o show que foi energizante, atendi um por um cada fã que foi ao camarim. Quando dei por mim, já eram quase cinco da manhã! Tudo isso? Quase! Meu celular entrou no horário de verão ;-)

Sauípe para Todas as idades

17 de outubro de 2011

Mata de São João, Bahia. É ali que fica um dos mais imponentes complexos hoteleiros do Brasil. A Costa do Sauípe é bonita de se ver, os hotéis são um convite ao descanso em meio a facilidades e comodidades de tudo quanto é tipo. Não foi nossa primeira vez por lá e, até por isso, estava ansioso pela chegada. Enquanto Birita curtia a praia, eu mergulhava em uma cama com vista pro mar de dar inveja a qualquer preguiçoso. Com a chegada da noite, fomos fazer o show a poucos metros dali.
Um show para pouca gente, um congresso de Odontologia que misturou brasileiros de tudo quanto é estado possível. Famílias presentes com suas crianças, num mosaico de idades nos dando um dos shows mais heterogêneos de ser feito! E eu lhes, digo, não é fácil agradar a gregos e troianos; imagine satisfazer a todos nesta noite.
Acontece que as crianças tornaram isto possível. Sentadas na beira do palco baixo que nos servia, foram timidamente se interessando pelo show. Convidei os pais para deixarem elas ali enquanto eles curtiam a festa. E conforme fomos cantando, eles foram participando mais e mais. Em Vento Ventania, lotamos o palco e elas pularam sem parar! Em alguns solos de guitarra, elas se arriscaram a tocar um pouco, criando novas sonoridades às palhetadas de Coelho. E o final apoteótico incluíu TODAS pegarem um copo d’água e, ao meu sinal, jogar nos pais, coitados! Chove, chuva, chove sem parar! Após o show, não paramos de tirar fotos com as famílias. E concluímos que, das duas, uma: ou elas cairiam na cama apagadas ou os pais teriam uma noite dos diabos com todas elas elétricas e agitadas. Minha aposta foi para esta última opção. ;-)

Seropédica e o dia das crianças

17 de outubro de 2011

Véspera de feriado. Show na Seropédica, a poucos minutos do Rio. Fomos todos juntos numa van para lá. Numa estrutura bem montada, atacamos com um público animadíssimo nos aguardando. Havia chovido a manhã toda, o chão ainda estava enlameado mas São Pedro deu uma trégua no fim da tarde e a presença de todos foi muito bem vinda por nós. Terça feira com cara de sábado. Juro que esperaria pelo Fantástico na quarta! Pois a animação de todos, a festança a energia era digna de um fim de semana. Ao cantar “Chove Chuva” prestei minha homenagem também cantando “vou fazer uma prece para Nossa Senhora de Aparecida”! Estive este ano lá e só me fez bem. Nada mais justo que lembrar-me dela na canção ;-)

O show foi o nosso último antes do dia das crianças. Convidamos todos mais uma vez para a #correntedobem (basta doar um brinquedo a uma criança necessitada). E muita gente nos atendeu de norte a sul do país. Eu só posso agradecer – e muito – a todos que participaram. Em Juiz de Fora, Recife, Maceió, Caruaru, Natal, Fortaleza, Rio de Janeiro, Resende, Guarapari, Pau dos Ferros, Nova Friburgo…não faltou lugar onde a bondade e a solidariedade prevaleceram. E com isso, a festa foi especial para muitos, milhares de pequenos. Que isto seja apenas o começo. Já estou envolvido para o Natal. Que assim seja!

O MADA plugado na TOMADA!

17 de outubro de 2011

Depois de cinco anos, tocamos novamente no MADA (Música, Alimento da Alma). Nossa experiência em 2006 foi maravilhosa e estávamos
ansiosos por este novo encontro com a galera de Natal. Ficamos bem hospedados e passei a tarde no hotel dando entrevistas e conversando com amigos que tenho por lá.

Quando a noite chegou, fomos mais cedo para a arena do Imirá Plaza. Aproveitei para ver o show de Marcelo Jeneci, que abriu a noite. E ansiosamente aguardamos pelo começo do nosso. A galera estava impaciente, mas se entregou de corpo e alma a cada canção que tocamos no festival, com direito a mosh e participação de Clênio Maciel, vocalista da banda potiguar Uskaravelho, que representa o rock do Rio Grande do Norte há muitos anos. Porque o MADA é assim: alimento da alma, novas experiências, encontros inusitados, energia renovada!
Obrigado, Natal! Obrigado MADA!

Rio Piracicaba, Cantagalo e São João da Barra

17 de outubro de 2011

Dois shows no interior do Rio e um em Minas.

Antes de viajar, comparecemos todos ao Rock In Rio para a noite do Jamiroquai e Stevie Wonder. Assistimos e adoramos tudo por um bom tempo mas tivemos que sair no meio do show de Wonderfull Stevie para viajar. E começamos com uma ida a Rio Piracicaba, numa viagem que deveria ter sido curta, mas levou muito, muito, muitoooo tempo! Não temos problema em viajar por horas. O que incomoda a banda é quando levamos mais tempo por causa de uma rota errada ou mal planejada. Num mundo onde cada um tem um GPS, todo mundo acaba se metendo a navegador e o pobre do motorista sofre com as dicas! Depois de uma odisséia, chegamos a João Monlevade, onde nos baseamos. Foi um ótimo show e numa região que há um bom tempo não nos apresentávamos. Mal acabamos o show, seguimos para Cantagalo, no estado do Rio de Janeiro. Próximo à rodoviária, fizemos o show com uma novidade: Amanhã (É Outro Dia) – música nova que passamos a tocar no show. É sempre uma sensação boa tocar uma música inédita. A gente fica olhando todo mundo, vendo a reação de cada um, notando aqueles que tentam balbuciar a letra que estão aprendendo naquele instante. Foi uma boa estréia, por sinal, já que o refrão é igual ao nome da canção e toca em feridas que continuam abertas no país.

“Dou a minha cara tapa como todo brasileiro/ eu me calo, eu engulo, e me largo no sofá/ mas a raiva é minha cura/ minha arma contra o medo/ a faísca que eu preciso pra incendiar“. Esta é mais uma música que fará parte do novo disco Roda Gigante.

Menos de uma semana depois, uma viagem tranquila nos aguardava para São João da Barra. Saímos um pouco mais tarde do que de costume para tentar evitar o engarrafamento do fim de semana prolongado. Em vão. O jeito foi tolerantemente aguardar o nó ser desatado. O show foi muito bom, mas tivemos problemas com a guitarra do Coelho. E nestas horas, o jeito é ter jogo de cintura. Depois de uns instantes, Miguel deu o tom com Timidez, uma canção em que o teclado comanda. Foi o tempo necessário para que os problemas fossem sanados e Coelho voltassem pro solo. Em geral, problemas acontecem durante o show mas o grande público não percebe. E quando isto acontece, nada melhor que ter bom humor. E tanto nós quanto o público teve! Obrigado! ;-)

Obrigado, Steve

6 de outubro de 2011

Em meio ao Rock In Rio, olhei para uma estrela no céu. Saquei meu iPhone e usando o aplicativo StarWalk apontei pra ela. Não era estrela, era Júpiter! Mostrei o aplicativo pro meu empresário que, rindo, me perguntou: onde estaria você sem celulares, internet e computadores? Eu, de pronto, respondi: “Você fez a pergunta errada! O certo é: onde eu estaria sem a Apple?”

A resposta é um exagero? Sim, digna de um fanático por uma banda de rock. No entanto, nao se trata de uma banda e eu tenho paixão por esta empresa e seu líder, Steve Jobs, que faleceu nesta quarta, dia 5. A importância de Jobs para o mundo vai além de seus aparelhos e aplicativos. Está na sua idéia de como a tecnologia deveria se fundir com as nossas vidas.

Muitos que me lêem não tem um computador da Apple. Caros? Sim, mas quem comprou um não quis voltar mais para um PC e a grande maioria diz que valeu pagar um pouco mais. Adeus, vírus, configurações complicadas, atualizações de sistema de deixar os cabelos em pé. Ainda assim, PCs são a maioria. Os iPods, iPads e iPhones é que foram mostrando a estes usuários como a facilidade de uso, belo design, e soluções práticas de integração com nossas vidas era uma característica da empresa de Jobs. A maior dificuldade para quem entrava no mundo Mac era se livrar dos péssimos vícios de quem já usava Windows. E tecnologia é algo que sempre assustou muita gente. Minha mãe, por exemplo, odeia seu PC mas não troca por simplesmente não querer mais reaprender a usar um computador ao migrar pro Mac. Eu entendo e assisto seus desesperos vez por outra com problemas de sistema, vírus etc. Claro que o Mac não é uma máquina perfeita e todas dão algum problema. A questão não é esta simplesmente.

Eu, que usei os dois, resumo minha experiência dizendo que sentia ter controle sobre o computador usando um Mac. Mesmo quando dava algo errado, eu sentia-me mais à vontade para resolver os problemas. Não por menos, a Apple fez com que seus usuários amassem seus computadores. Você não vê a mesma reação com Windows, ninguém estampa as famosas janelinhas na traseira de um carro, e o mesmo vale para os logos da HP, Dell, Samsung, Toshiba….Ouso dizer que nenhum outro gênio da tecnologia causará tamanha comoção com sua morte. E Jobs fez isto.

Suas palestras e apresentações atraíam milhares de pessoas para enxergar o que o futuro nos traria. Simplicidade de uso, foco nos anseios dos consumidores e o tradicional “and one more thing” (só mais uma coisa) que nos surpreendia com aparelhos que despertavam a vontade de tê-los de imediato.

Ah, chega desse papo de macmaníaco! Ok, eu cheguei a mencionar então a Pixar? Pois é: Toy Story, Nemo, Carros, muitos filmes incríveis foram desenvolvidos por este braço da Disney através de quem? Sim, ele!

Para o meu trabalho, trabalhamos com um Apple IIci usando MIDI em 1991 no Descivilização, O ProTools surgiu primeiro pra Mac e editamos nele o disco Agora e 1994. Nossas capas a partir de 91 foram feitas com Macs. Nosso primeiro site em 1996 foi feito num Mac, as faixas interativas dos discos biquini.com.br e Escuta Aqui, a edição de nosso primeiro DVD foi feita em casa pelo Coelho usando Final Cut. “Alguma Verdade” foi toda construída no Garage Band.

Minha tristeza só se compara à perda de Ayrton Senna e Charles Chaplin, dois gênios no que faziam também. Quando soube que o novo iPhone se chamaria 4S eu pensei “que nome horroroso!” . Four S, soa como For Ass (numa livre tradução “pra bunda”). Seria o mesmo que ter um aparelho no Brasil com o código KH! Hoje, assim como muita gente, acredito que era uma homenagem: For Steve!

Portanto, minhas homenagens ao cara que, mesmo que você nunca tenha tido um produto Apple, mudou a forma do mundo ver a tecnologia e inspirará as novas descobertas que teremos. E não deixe de ver este video:

…and one more thing:

sentiremos sua falta! Obrigado, Steve!

Bruno

Leia antes de sair de casa para ir ao Rock In Rio

29 de setembro de 2011

Meu amigo Tico Santa Cruz já havia colocado ótimas questões no blog dele. Eu também quero colocar as minhas. Não tenho nenhum vínculo com o Rock In Rio, não estou participando deste e irei para ver os shows somente. Dito isto acho que precisamos deixar claro algumas coisas básicas, e que não sei o porquê de muitos ainda não entenderem.

1- Rock In Rio é uma marca. Nunca se propôs a levar somente rock. É um festival de música e todos os estilos são bem vindos. Tivemos Ney Matogrosso abrindo a edição de 1985, Alceu Valença fazendo um showzaço em 1991, Sandy e Júnior em 2001, não vejo problema algum de Claudia Leitte e Ivete tocarem. Seus shows foram aclamados dentro e fora do Brasil. Estão no palco mundo por méritos próprios! Querer que o Rock In Rio seja só ROCK é o mesmo que querer que ele seja só IN RIO. E como bem sabemos, já tivemos edições em Lisboa, Madrid…
Você tem todo o direito de discordar da seleção de artistas, grade de horários, mas manifeste-se com modos, né?

2- Falando em modos, vaiar artistas como Claudia Leitte, NX Zero, Gloria, para mim é falta de educação. Vaia para mim é uma arma covarde de quem se esconde na multidão alegando estar sendo sincero. Duvido que faça isto sozinho! Vaiar é coisa de maria-vai-com-as outras. Se você vaiar sozinho no meio da multidão vai se calar num minuto. Então não venha me falar que “está no seu direito de dizer que não está gostando”, porque você não faria isto se não fosse o coro da galera.

O que você se esquece é que além de desrespeitar quem está tocando, ignora aqueles que também pagaram caro pelo ingresso para ouvir o artista que você vaia. E que não conseguem ouvir nada com o seu barulho. Não me interessa saber o porquê de você não gostar de artista A B ou C. Apenas, lembre-se que ele não está lá só por sua causa e muitas, mas muitas pessoas querem assisti-los. Se cinco mil pensam como você, isto não chega a 5% do festival. Respeite a maioria!

O silêncio, sim, pode ser a sua arma para mostrar descontentamento ou mesmo indiferença a um artista. E te digo, de cima do palco, isto até dói mais no coração de quem espera um aplauso, mas ao menos dá a chance de quem curte o som, aproveitar a noite.

3- O lema é Por Um Mundo Melhor. Melhor como? De que jeito? Discriminando? Pluralidade, pessoal, faz parte da música brasileira. Isto não quer dizer que você tenha que gostar de todos os ritmos, claro. No entanto, num evento com outros artistas heterogêneos, respeite quem gosta e foi lá para assisti-los também. Você comprou o ingresso, sabe o horário de cada apresentação. Quer ficar na frente? Ok, mas paga-se um preço para isto, inclusive assistir outros artistas, quer você goste ou não deles. Se em coisas simples como um festival, não há respeito ao próximo, o que podemos querer para nosso futuro?

4- O Biquini já participou de festivais de rock nacionais e internacionais, já participou no trio elétrico de Margareth Menezes e Jammil, já teve o sertanejo Hudson solando guitarra em nosso DVD e tocamos em varias feiras agropecuárias. No Festival de Verão de Salvador, Planeta Atlântida e Ceará Music, cabem todos os estilos. No carnaval da Bahia também. São exemplos de festas onde o público recebeu os artistas com carinho. E quem não queria dançar rock, apenas fazer as dancinhas do axé, pacientemente aguardou a próxima apresentação. Se é pra vaiar, vamos vaiar os políticos que nos roubam, os que nada fazem por nós, e não gente honesta e trabalhadora.

5- Sim, esta não é a primeira vez que as vaias rolam no Rock In Rio. Em 85, vaiaram Erasmo Carlos. Seria algo tão absurdo como se tivessem vaiado Elvis Presley (se estivesse vivo) no Live Aid! E vieram mais vaias ao Kid Abelha e Eduardo Dusek. Em sua defesa, Herbert deu um belíssimo carão na galera. E eu assino embaixo!

Tudo isto para dizer que uma nova semana de shows começa hoje e espero honestamente que o público como um todo possa ser mais educado com quem sobe ali para mostrar o seu trabalho. Sim, eu também vou assistir, mas tenho shows na sexta e sábado no interior do Brasil . Nesta quinta e domingo, não estranhem se me acharem no meio da multidão. E que venham mais edições deste super festival. Viva a música!