Descivilização
Alvaro, Bruno, Miguel, Sheik, Coelho, Beni
Edição: Phonogram Publishing
Ano: 1991
ISRC: BRMCA9100010/64316130
Qualquer dia desses ainda pego o meu carro e sumo daqui. Vou aonde der a gasolina. Daí em diante ando a pé, até encontrar carona em carro de boi. Suspendo o meu ódio e salto num vale inatingível. Percorrerei a mata e me embrenharei por ela até chegar numa árvore, a mais alta, e tirar um cochilo jóia.
Na chuva que os dias trouxerem,
Esquecerei de contá-los,
Perderei seus nomes e sequência
Chamarei do que quizer :
Dia Vento, Dia de Sono,
Dia Sem Graça,
Dia, Areia e Pó
Os vícios e obrigações,
Responsabilidades, relógios e cordões,
Serão pesadelos que nem lembrarei
Palavras se perderão, outros símbolos virão:
Pedra cortada, o mato achatado , a seta no chão
Descivilização
Na chuva dos dias, meu nome vai fugir
Escorrer pela terra, até que as plantas o suguem
Aí ele será uma presença inaudível em todo lugar
Como algo tão notório e que, por isso, não precisa se falar
Sol sem brilho, luz sem cor
Descivilização
Porque a vida é passageira; e a morte, o trem.
Observações da banda
Algumas músicas levam meses para serem escritas, anos para serem arranjadas... e em contrapartida, temos exemplos como o de Descivilização: Miguel leu um poema do caderno de Alvaro Birita em voz alta.Todos nós gostamos. Sheik tinha acabado de criar mais uma linha de baixo, eu acrescentei a melodia...Em poucos minutos estava pronta. Era como se todos nós já soubéssemos o que tocar nela. Na gravação, o solo do Coelho foi gravado tocando a música ao de trás para frente e Miguel forneceu a "mata atlântica" para fazer os barulhos de animais. O texto seria lido por Sheik ou Miguel, mas acabou ficando melhor na minha voz. BRUNO GOUVEIA
Ficha técnica
- Voz: Bruno Gouveia
- Guitarra: Carlos Coelho
- Bateria: Álvaro Birita
- Teclados: Miguel Flores da Cunha
- Baixo: Sheik