Biquini Cavadão

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Música

As Outras Cores do Álbum Branco (2008)

Observações

Este disco conta com Bruno e Coelho, juntos com Milton Guedes, em uma versão para Jealous Guy. O disco apresenta diversas bandas e artistas interpretando o material que acabou não entrando no Álbum Branco dos Beatles. Entre os convidados estão Paulo Ricardo, Ramirez, Alvin L, Branco Mello, Zé Ramalho, Paulinho Moska, Zélia Duncan, entre outros

Como beatlemaniacos que somos, ficamos lisongeados com o convite de Marcelo Fróes para cantar neste projeto. A música que gravamos não fez parte do Álbum Branco, embora tivesse sido composta naquela época sob o título de Child Of Nature e lançada alguns anos depois no disco Imagine de John Lennon. Para a gravação do assobio, convidamos Milton Guedes, um mestre nesta arte. Citamos alguns versos de Child Of Nature e buscamos uma versão minimalista.

Release

Beatles 68: As Outras Cores do Álbum Branco

Vinte e uma grandes estrelas gravam as outras canções que os Beatles fizeram na fase do lendário “Álbum Branco”, incluindo um primeiro registro em disco de uma canção inédita de George Harrison composta na Índia

Um ano antes da comemoração dos 40 anos do “Álbum Branco”, exatamente em outubro de 2007, eu conversava pelo MSN com meu amigo Guto Ribeiro, baixista da banda Manfred, sobre projetos de música viabilizados pela Internet. Lembrávamos dos tributos que haviam sido feitos ao LP “Sgt. Pepper” mundo afora e também das homenagens virtuais a Erasmo Carlos e Ronnie Von, dentre outros. Ele sugeriu: “Que tal um pro ´Álbum Branco` pra 2008?” A princípio, achei loucura, afinal é um disco de 30 faixas e seria uma missão impossível encontrar bons intérpretes para todas aquelas faixas. Com o passar das horas, o desafio se instalou e resolvemos tocar o lance pelo Orkut. Sem exagero: a “comunidade” do projeto foi criada no dia 16 de outubro e, três dias depois, o repertório já estava todo tomado. Partimos para uma “segunda versão” e amigos ilustres começaram a aparecer ou a ser contactados e convidados.
A paixão do brasileiro pela música dos Beatles, que já rendeu muitos projetos musicais ao longo destas quase 5 décadas que a beatlemania nacional atravessou, passando pelas mais de 200 gravações por artistas brasileiros na época da chamada “Jovem Guarda”, passou também pelo “Álbum Branco” de 1968, lançado por aqui no início do ano seguinte. Não através de versões, mas pelo reconhecimento da crítica e dos formadores de opinião. Sua importância foi logo reconhecida pela revista Realidade, que convidou nomes como Caetano Veloso e até Carlos Drummond de Andrade para traduzirem algumas letras. E era natural. Os Beatles haviam mudado bastante. Como se já não bastasse a revolução de “Sgt. Pepper” no “Verão do Amor”, em 1967, os rapazes haviam perdido o empresário e depois conhecido o guru indiano Maharishi Maheshi Yogi. O lendário repertório de 30 canções do “Álbum Branco” teria, então, sido composto durante um período de 45 dias em Rishikesh, na Índia, onde os Beatles fizeram um curso de meditação transcendental com o tal guru. Muitas histórias e lendas nasceram daí, além de boa parte daquelas canções.
O “Álbum Branco” marca o início da separação dos Beatles. Trinta faixas espalhadas num álbum duplo; quatro faces de disco que revelavam as facetas dos quatro diferentes lados daquele círculo vicioso e viciado. É considerado o melhor disco da banda, o mais eclético e o mais autêntico. A liberdade foi tamanha, que os Beatles monopolizaram o complexo de estúdios da Abbey Road e o produtor George Martin, atordoado, tirou férias no meio das gravações e “deixou os rapazes à vontade”. O disco foi gravado entre maio e outubro de 1968, ocasião em que mais e mais canções foram compostas e outras, inclusive do repertório da Índia, foram ficando de fora ou sendo entregues a amigos.
E é com estas canções que foram ficando de fora, e outras que foram gravadas em avulsos lançados em 1968 ou mesmo arquivadas ou gravadas por outros ou pelos próprios ex-beatles em seus discos solo, que este “As Outras Cores do Álbum Branco” é montado. George Harrison tem uma boa quantidade de canções neste CD, tamanha era a limitação de espaço para seu repertório nos discos da banda. Não é à toa que até uma canção verdadeiramente inédita surge neste nosso disco, através da delicada e reverente gravação de Zé Ramalho. Composta na Índia em 1968, “Dehra Dun” chega ao disco por força de George Harrison ter gravado uma fita demo para registro na editora musical em 1970... e pelo fato da obra ter sido veiculada “an passan” na série documental “Anthology” em 1995. Mas registro em disco ainda não existia.
É também válido verificar que canções gravadas às vésperas da viagem para a Índia, como “Across The Universe”, já tinham forte DNA do repertório gerado durante aquele período e nos meses seguintes. “The Inner Light”, em sua versão original, incluída no lado B de “Lady Madonna”, lançado em março de 1968, quando os Beatles já estavam na Índia, tem uma levada indiana que muito lembra ritmos nordestinos brasileiros. Não demorou muito para que a imprensa brasileira, naquele ano, ao ouvir a gravação e ao ver uma foto de John Lennon com uma sanfona no estúdio, espalhou o boato de que os Beatles gravariam uma canção de Luiz Gonzaga (!). E é uma curiosidade das mais interessantes a versão que Vasco Faé faz de “Assum Preto”, que dispensa comentários por ser auto-explicativa. Ouçam.
Em suma, como o primeiro “Álbum Branco” por nós produzido e lançado, este “As Outras Cores do Álbum Branco” é ainda maior prova do amor do brasileiro não só pela música dos Beatles, mas pela música em geral. É sinal de que, com boa vontade e organização, pode-se ir muito longe nos sonhos. O projeto “Álbum Branco” cresceu e rendeu muitos frutos; todas as canções foram gravadas por grandes nomes e também por bandas independentes, tudo com muita competência e profissionalismo. A caminho da data oficial do lançamento do “White Álbum” original, ocorrido exatamente a 22 de novembro de 1968, estamos trazendo ao público muitas surpresas em torno do fantástico repertório que os Beatles criaram naquele revolucionário ano de 1968. Há 40 anos.
Mais detalhes sobre este projeto no link  HYPERLINK "http://www.thebeatles.com.br/albumbranco" www.thebeatles.com.br/albumbranco

Marcelo Fróes
Outubro, 2008


Anexo:
Informações sobre as canções:

Revolution – A primeira versão a ser lançada pelos Beatles foi esta, mais roqueira, no lado B do compacto “Hey Jude” – três meses antes do “Álbum Branco” ser finalmente lançado em 22 de novembro de 1968, contendo uma versão mais lenta intitulada “Revolution 1”.

Sour Milk Sea – Composta na Índia por George Harrison e até ensaiada pelos Beatles em maio de 1968, acabou sendo gravada em disco pelo cantor Jackie Lomax – contratado pela Apple Records. Na gravação de Lomax tocaram George, Paul McCartney e Ringo Starr; no lugar de John Lennon, pro artista não ter todos os Beatles na base, ninguém menos que Eric Clapton.

Badge – Composta por George Harrison em parceria por Eric Clapton em 1968, foi gravada pela banda Cream – formada por Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker. A gravação saiu no início de 1969 no último álbum do trio, “Goodbye”.

Not Guilty – Composta por George Harrison em 1968, chegou a ser gravada pelos Beatles para o “Álbum Branco” mas, apesar das inúmeras tentativas, acabou ficando de fora. Dez anos depois George Harrison a regravou e finalmente lançou num álbum solo, enquanto que a versão final dos Beatles finalmente saiu no terceiro volume da trilogia “Anthology” em 1996.

What’s The New Mary Jane – Composta por John Lennon na Índia em 1968, chegou a ser ensaiada pelos Beatles em maio de 1968 e depois gravada em estúdio por John, Yoko Ono e George Harrison. Ficou de fora do “Álbum Branco”, quase virou um single solo de Lennon e por fim só viu a luz do dia no terceiro volume da trilogia “Anthology” em 1996.

Cosmically Conscious – Composta por Paul McCartney na Índia em 1968, foi um segredo muito bem guardado por décadas. Ele só gravou e lançou a canção num disco solo em 1993, quando anunciou que era uma relíquia da viagem à Índia.

Dehra Dun – Canção inédita de George Harrison, composta na Índia em 1968 e que nunca foi propriamente gravada – nem pelo próprio autor. Em 1969 George chegou a registrar uma demo em estúdio, que nos permitiu conhecer a íntegra da canção que só foi efetivamente anunciada como existente pelo próprio George, durante depoimento à série de TV “Anthology” em 1995.

Jealous Guy – Composta originalmente como “Child Of Nature” por John Lennon, na Índia em 1968, chegou a ser ensaiada pelos Beatles em maio de 1968 mas nunca chegou ao Álbum Branco. Três anos depois ele refez a letra e a lançou como “Jealous Guy” em seu lendário LP solo Imagine.

Circles – Composta por George Harrison na Índia em 1968, chegou a ser esboçada durante os ensaios que antecederam ao início da gravação do Álbum Branco. Mas ficou para trás e só foi efetivamente gravada no LP solo de George Harrison de 1982, “Gone Troppo”.

Junk – Composta por Paul McCartney na Índia, também chegou a ser ensaiada para o Álbum Branco mas ficou de fora. Foi finalmente gravada por Paul em seu primeiro LP solo, lançado em 1970.

Look At Me – Composta por John Lennon em 1968, é uma canção irmã de “Julia” e por isso ficou guardada. Em 1970 ele a gravou para seu LP solo “Plastic Ono Band”.

Step Inside Love – Composta por Paul McCartney , foi gravada pela cantora e apresentadora de TV Cilla Black no início de 1968 – com arranjo e produção de George Martin. Meses depois Paul chegou a gravar para o Álbum Branco, mas ficou arquivada e acabou se tornando uma daquelas conhecida somente na voz de outro intérprete.

Assum Preto – Em 1968, os Beatles lançaram uma canção chamada “The Inner Light” no lado B de um compacto. O tema indiano de George Harrison tinha uma levada totalmente nordestina e, como apareceu também uma foto de John Lennon tocando sanfona, não demorou muito e algum colunista musical sugeriu que os Beatles gravariam Luiz Gonzaga em seu próximo LP. A versão de “Assum Preto” que incluímos como curiosidade neste projeto é auto-explicativa.

Across The Universe – Gravada pelos Beatles em fevereiro de 1968, às vésperas da viagem para a Índia, esta canção de John Lennon só saiu no ano seguinte – num disco beneficente na Inglaterra. E, claro, com nova roupagem, no LP “Let It Be” de 1970.

The Inner Light – Gravada por seu autor George Harrison, com acompanhamento de músicos indianos num estúdio em Bombaim no início de 1968, foi lançada no lado B do compacto “Lady Madonna” enquanto os Beatles faziam o curso de meditação transcedental na Índia.

Lady Madonna – Um rock de Paul McCartney, gravado pelos Beatles em fevereiro de 1968 e lançado como compacto enquanto os rapazes estavam na Índia.

Hey Bulldog – Rock de John Lennon gravado na mesma série de sessões de Lady Madonna em fevereiro de 1968, ficou guardado por alguns meses e acabou na trilha do desenho animado Yellow Submarine ainda naquele ano.

Hey Jude – O grande clássico dos Beatles de 1968, composto por Paul McCartney e lançado em compacto no início do segundo semestre daquele ano – poucos meses antes do lançamento do Álbum Branco.

Singalong Junk – Versão instrumental para Junk, de Paul McCartney, também ensaiada pelos Beatles em maio de 1968 mas nunca aproveitada no Álbum Branco. Paul também a gravou para seu primeiro álbum solo em 1970.

Thingumybob – Tema instrumental feito por Paul McCartney e gravado por uma orquestra inglesa em 1968. Chegou a ser gravada também pela orquestra de George Martin, arranjador e produtor dos Beatles. Mas é efetivamente a mais obscura das canções oficialmente creditadas à dupla Lennon-McCartney

Pepperland – Tema de abertura da trilha sonora do desenho animado Yellow Submarine, composto por George Martin e gravado com orquestra logo após o término das sessões do Álbum Branco em outubro de 1968. A trilha incidental do filme, toda composta por Martin, ocuparia todo o lado 2 do LP Yellow Submarine em 1969.


Arte

Design: Crama Design / Fotografia: Marcelo Fróes


Capa
Contra-Capa
Selo ou Arte

Ficha Técnica

Jealous Guy - john lennonBiquini Cavadão (part. especial Milton Guedes)Bruno Gouveia - voz | Carlos Coelho - guitarra | Milton Guedes - assobioProduzido e mixado por Carlos Coelho no Melhor do Mundo Studios em março de 2008
Técnico de gravação e mixagem: Alexandre Griva


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